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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Coisas de Rebecca

Nossa, quanto tempo tem que não escrevo nesse blog e revisitar o que foi publicado anteriormente me causa um certo estranhamento, tantas coisas aconteceram...mas, hoje estou aqui para partilhar de algo um pouco particular. Sobre meu processo psicoterapêutico, como sempre disse e defendo, Psi tem que fazer terapia :-D.

Mais um dia de terapia, depois de longas 2 semanas de incompatibilidade de agendas, sento nesse sofá, nesse momento de encontro e confronto. Não vejo motivos aparentes ou assuntos específicos para falar, mas vou soltando uma história aqui e outra lá, fazendo minha linha do tempo, em busca de sentido.  Quando acabo de falar sou pega naquela mesma pergunta que me desconcerta até hoje: - E o que você sente? Poxa...se não consigo nem "racionalizar" sobre isso, não vou conseguir nem falar sobre o que sinto. Isso foi o que pensei, mesmo permanecendo em silêncio. Depois de conseguir, como de relance, lembrar de uma história difícil ocorrida na semana logo sinto que as coisas deram uma clareada.
- E o que você sente em relação a esse fato ocorrido? - Sinto dor. Isso dói.
- Então pega alguma coisa que possa representar essa dor.
Lá vou eu e pego a primeira almofada que me aparece na frente.
- O que você faz com sua dor?
Sem precisar pensar duas vezes, pego a almofada e escondo debaixo de uma manta que estava sobre o sofá, sento em cima. Sou questionada sobre o possível incômodo disso e digo que incomoda.
- Serio? Não parece, olha a sua postura.
E lá estou eu, coluna ereta, pernas cruzadas, lágrimas nos olhos. Logo penso, poxa vida, é isso que faço sempre? Escondo? Finjo que não tá acontecendo nada?
- Pega essa almofada maior ai, vamos ver o que acontece.
Mesmo vendo que seria ruim ficar em cima de uma almofada daquela, lembro que ela não é mais almofada, ela é minha dor.
Vou e escondo novamente. Sento em cima. Pernas cruzadas, postura ereta. Não sei se rio ou se choro vendo como ajo na vida, vendo a situação desse jeito tão escrachado. Sinto o incômodo, mas minha postura não muda.
Trocamos de papel, me ver nessa situação enxergando o outro fazendo o que faço deixa tudo mais claro. Como aprendi a ser assim? Pra quê ser assim?
Reflexões e cabeça borbulhando nesse pós confronto comigo mesma. Vida que segue, sei que terei tempo e espaço para entender e experimentar outras formas de sentir e agir.

E você, o que faz com sua dor?





sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Estágio e Vida acadêmica

Aí está você, todo lindão, sua vida acadêmica indo de vento em polpa, daí você decide que precisa praticar aquilo que está aprendendo. As aulas vão se passando e você se angustia de estar sentado na cadeira vendo aquele "bando" de teoria e pensando como aquilo se aplicaria na prática.
Pois é queridão, isso é um dos sinais que indicam que você está precisando procurar um estágio.

O estágio nada mais é do que um trabalho com finalidade educativa e de experiência, sua carga horária é reduzida e você recebe um trocadinho, ou nem isso, caso seu estágio seja voluntário.

Remunerado ou não, a carga de aprendizagem (dependendo do local e da área em que você pretende estagiar) é muito mais rica do que você ficar aí se angustiando na cadeira da faculdade. E vai por mim, tudo relacionado ao assunto que envolve o seu estágio, na faculdade ganha um novo significado, você compreende bem melhor por viver (ou não viver) aquilo que está sendo descrito.

Tudo que foi elencado até aqui, está relacionado à minha experiência pessoal de estágio que fiz em uma empresa do ramo hospitalar, na parte organizacional. Embora tenham sido apresentados para mim os livros da psi utilizados como base para a elaboração e execução dos processos, digamos que eu não tive AQUELE tempo para mergulhar na leitura, mas como o aprendizado possui uma fluidez entre a prática e o ensino verbal, posso dizer que aprendi muito ouvindo, vendo e praticando os processos.

E olha só, um detalhe relevante para essa experiência foi que eu nunca havia trabalhado nessa minha vidinha, 20 anos sem saber o que era um trabalho! Então eu tinha no meu imaginário a visão mais catastrófica possível do que era um ambiente de trabalho, com coisas do tipo: chefão chato e malvado, colegas de trabalho frios e distantes, cobranças, cobranças e nada de ver o retorno do trabalho realizado (sim meus caros, minha "mente" catastrófica me preparou para o pior).

Só que, quando eu lembro disso eu tenho vontade de rir, mesmo tendo construído uma visão do que era o trabalho a partir do relato de experiências prioritariamente RUINS acerca do que era trabalhar, posso dizer com muita felicidade que eu "paguei a língua". Eu fui extremamente bem recebida, treinada e tive todo apoio possível para execução de minhas tarefas com qualidade, aprendi do que era compartilhar um pouco da vida com os colegas de trabalho, vi que trabalhar no dia 31 de Dezembro (véspera de ano novo) não era tão ruim quando se tem um ambiente com o clima legal para trabalhar. Conheci profissionais da psicologia éticos e comprometidos, senti na pele o que era um trabalho interdisciplinar com profissionais de outras áreas. Enfim, muitos dirão que tive sorte, mas digo que foi graça divina mesmo.

Mas pera aí, você não sofreu nenhum pouquinho? Olha, e como...acha que é tudo um mar de flores? Senti o cansaço na pele, daquele dia que a gente chega em casa em véspera de prova e mal consegue abrir o olho pra revisar um texto, ou no dia que você volta do estágio se sentindo uma bosta por não ter conseguido concluir o que planejava para o dia, lidar com pessoas de outros setores que não entendiam seu trabalho, tive que lidar com minha esquiva de ligações telefônicas: falar com pessoas de hierarquia elevada na empresa e podar a fala para lidar com quem era de um setor operacional, enfim. Tudo isso faz parte, creio que foi uma amostra dos desafios que virão após a minha formação.

Por fim, digo que sou grata, por todo apoio e acolhimento recebido, pelos desafios e limitações encontrados na prática da psicologia organizacional e pelo alívio de ter feito meu trabalho da melhor maneira. E o melhor, por ter feito laços preciosos. E tu? O que está esperando para cadastrar seu currículo?

Segue abaixo o link de alguns sites de estágios:
http://www.ciee.org.br/portal/index.asp
http://www.institutofecomerciodf.com.br/if-estagio-como-participar/
http://www.ieldf.org.br/


segunda-feira, 28 de março de 2016

Industrialização Estudantil

O poema que segue abaixo é muito significativo nessa minha vida de estudante. Ele foi escrito no final do meu ensino médio, naquela época terrível que todos te fazem pensar que a escolha do curso superior é o divisor de águas da sua vida. O tempo passa e a gente vê que as escolhas são sucessivas, seguem e sempre exigem de nós uma posição, não pensava que diria isso mas quem dera se minha preocupação hoje fosse somente aquela de tempos atrás.

 Eu sou produto de uma máquina, uma máquina industrial
 Um produto em fase de produção
 Inacabado
 Instável
 Volátil, me misturando ao ar rapidamente
 Um ar denso, com moléculas de PAS, UNB e vestibular
 Voltando por algum motivo ao estado sólido
 Olho para os operários dessa indústria
 Operários variados, que volta e meia assumem a mesma postura: frente à lousa
 Tentam introduzir em mim algo abstrato, necessário, a matéria-prima: o conhecimento
 Moldando-o a mim, um produto cheio de defeitos, inseguranças...
 Querendo ser útil para o mercado e para a sociedade
 Será que funcionarei?


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

E então 2016...como vai ser?

Dizem que o ano só começa depois do carnaval, por isso deixei pra fazer minha revisão de fim de ano agora, quase em Março! hahahaha.

Digamos que eu mantive uma certa linearidade com as postagens de início de ano, o fato é que praticamente não consegui cumprir tudo que prometi que faria no blog (p.ex., as postagens e tags novas) postei muito pouco. É vero... Foi porque foi um ano de muitas guinadas e como já sou enrolada não separei um tempo adequado para isso.
        O ano de 2015 foi bem desafiador, conciliar estágio e faculdade não foi lá a coisa mais fácil do mundo (mas consegui o/) daí fui surpreendida com boom familiar e quando menos esperei no fim do ano comecei a namorar, pagando um pouco a língua porque já tinha elaborado meu projeto solteirona forever alone (rs...rs).
        Tá, o que temos para esse ano? Bem, vou parar com essa ladainha de planejar só o meu dia e a semana como um todo, vou ter que investir um tempo com planejamentos a longo prazo porque já estou no 8º semestre do curso e preciso pensar com mais cautela e responsabilidade o meu planejamento de carreira.
        Sobre igreja e afins, digo que assumi minha fé reformada de vez, não dá meus caros arminianos e pentecas assembleianos, sou calvinista mesmo! Não vou dar de revolucionária na igreja, pois sigo com ética uma vez que ministro aulas na Escola Bíblica Dominical (EBD) sigo à risca os comentariastas da CPAD, embora pegue uma "birra" uma vez ou outra com a leitura que faço dos conteúdos. Sem crises ou desesperos, estou tranquila. Pretendo me dedicar melhor aos estudos bíblicos para fazer teologia futuramente, projetos que sempre apresento à Deus, para que sua vontade se cumpra sempre em minha vida e que seu nome seja glorificado.
        Aproveito para renovar as promessas com o blog, sim! São as mesmas do ano passado, com a mudança de que, como disse um professor meu desse semestre, não podemos esperar sobrar tempo para fazer o que nos comprometemos, temos que separa-lo, tempo é igual dinheiro, se queremos ter de sobra precisamos poupar e separar a partir daquilo que temos no momento, não pode esperar sobrar porque senão gastaremos sempre com outras coisas. Por isso irei separar um tempo para dedicar ao blog.

 Enfim, que venha a correria, o desespero e a calmaria.


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Faça isso, faça aquilo...

Ode à Frustração
“Trabalhe muito mas tenha qualidade de vida.
Trabalhe muito mas leia jornais e revistas.
Trabalhe muito mas leia livros, veja TV e assista os bons filmes.
Trabalhe muito mas assista aos virais “geniais” que seus amigos compartilham.
Trabalhe muito mas se atualize sobre seus clientes, os concorrentes e o mercado.
Trabalhe muito mas estude inglês e mais uma terceira língua à sua escolha.
Trabalhe muito mas vá a academia. Trabalhe muito mas se espiritualize.
Trabalhe muito mas tenha um tempo pra você.
Trabalhe muito mas tenha tempo para os amigos.
Trabalhe muito mas seja um pai presente e um marido carinhoso.
Trabalhe muito mas tenha um hobbie e toque um instrumento musical.
Trabalhe muito mas cultive hábitos saudáveis.
Trabalhe muito mas participe da vida cultural da cidade.
Trabalhe muito mas faça network.
Trabalhe muito mas esteja por dentro as últimas tecnologias.
Trabalhe muito mas não viva só para o trabalho.Trabalhe muito mas socialize.
Trabalhe muito, socialize mas dê atenção ao seu cônjuge.
Trabalhe muito, socialize, dê atenção ao cônjuge mas durma ao menos 8 horas [...]"

Para mim, esse trecho sintetiza o que vivemos nesses tempos pós-modernos, começar o texto com ele é bem sugestivo para ilustrar como me sinto nesses tempos.

O que escreverei aqui, com certeza, já deve ter sido alvo da fala de muitos, inclusive de estudiosos e por aí vai (engraçado de ter a liberdade de escrever " o que quero" no blog me parece estranha pois fico sob controle de de repente ter que citar alguém ou buscar a fonte exata do que tenho pra dizer, são só sintomas da vida acadêmica..rs).

O fato é que parece que meu ambiente (eu mesma, os outros, e por aí vai) nunca se satisfaz com o que me esforço tanto para oferecer a ele e me vende um ideal de felicidade fajuta que acho que comprei muito fácil, mas que reluto em aceitar.

Por vezes sou bombardeada com história de jovens que fizeram e aconteceram em um curto espaço de tempo, nessa era a qual temos acesso a informação rápida e instantânea posso saber por exemplo, como uma jovem de 21 anos começou um blog, que evoluiu para um vlog, que hoje é patrocinada por empresas pois sua temática é moda e beleza e viaja o mundo todo e tem a mesma idade que eu.

Isso é só um exemplo de muitos outros que chegam ao nosso conhecimento, é a geração Y que vai em direção ao que ela gosta de fazer, ao que dá prazer e ao que a move, assim de repente você começa algo despretencioso que com o tempo adquire alto valor ao mercado e a mídia se apropria disso e nos fornece tais informações.

Resultado de tudo isso: Me sinto atrasada nesse processo, o que me faz perguntar: Pera... essa tal pessoa que ganha destaque além de estar aquém de minha realidade, é apenas uma amostra muito pequena para servir de um modelo a ser seguido.

Quando olho ao redor, presencio pessoas com esse mesmo sentimento, que são tão inseguros quanto eu e que podem estar tão perdidos quanto ao que fazer no futuro. O fato é que não me sinto autorizada a me dar esse tempo, porque não se pode ficar mais parado hoje em dia, inércia é quase um pecado, é patológico, há sempre algo que precisa ser feito e quando penso ter alcançado uma etapa importante ou que pelo menos me faça ter algum "descanso" sou inquirida a fazer mais, a completar uma lacuna...

O meu recado é que sempre haverá lacunas, é como alguns pais que graças à Deus ainda dizem aos seus filhos quando esses entram em conflito por querer uma coisa e outra e mais outra "Meu filho, não se pode querer tudo". A palavra de ordem atualmente é: Você pode ter tudo que quiser, basta querer. Como se houvesse uma relação mágica entre querer e receber algo, "pensar positivo" e outras baboseiras as quais somos expostos diariamente.

Não posso me dar um tempo em um mundo e um mercado que é frenético, porque não sei o que pode acontecer amanhã, então o hoje é tudo que tenho para fazer as coisas que preciso e ao fim do dia não fiz metade do que julgo que precisava ser feito.

Penso que são nesses momentos é que preciso aceitar minhas limitações e dar tempo ao tempo. Não tem como estar motivada sempre, há que se ter serenidade e temperança, uma pausa para analizar as circunstancias e ter a esperança em algum dia bom.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Carta ao calouro de Psicologia



Caro calouro,

O semestre começou faz tempo né? Desculpa se te devi uma carta, não sou tão veterana assim, mas já passei da metade do curso então acho que vale né? Tenho essa cara de eterna caloura mas não se engane...já entendo um pouco alguns esquemas.
          Provavelmente você já se apresentou em todas as aulas da primeira semana e deve estar aliviado que as provas do primeiro bimestre já se foram e você pode respirar tranquilo (ou não). Apesar da pressão das primeiras provas do ensino superior você sobreviveu.
         Aqui estão alguns conselhos de minha pouca experiência nessa vida de acadêmica em uma instituição privada (ressalto esse fato, porque se fosse numa pública a pegada seria outra).
         1. Se você realmente acredita que está fazendo psicologia pra ajudar os outros, lembre-se que o primeiro que precisa de ajuda é você (sério!), uma colega de sala disse uma coisa interessante sobre um artigo, que ser psicólogo é uma profissão de risco...o que leva um ser humano a estudar 5 anos para estar de frente com o sofrimento do outro? Não importa onde ele irá atuar, vai ter pepino e conflito, por isso não banque o autossuficiente, deixa de drama e vá logo fazer uma terapia.
        2. Se você disse que escolheu o curso porque "aconselha seus amigos" já deve ter percebido que estava enganado quanto a suas reais motivações, o susto começa quando você só escuta princípios relacionados à ciência, teorias diversas sobre a psicologia, filosofia e antropologia. Se você estava achando que ia aprender a intervir aqui e ali no começo do curso sinto muito! Nem eu cheguei lá ainda, imagine você! Relaxa e lê esses textos que é importante. Sim! Tem 50 páginas para amanhã e você acha humanamente impossível não só ler mas entender esse bando de palavra "paradigma" "fenomenologia", "psiquê", "observação sistemática" e tantas outras que te fazem recorrer ao dicionário ou até deixar passar batido sem sacar que essa é uma das palavras-chave do texto.
      3. É importante que no início você leia muito e fale de menos, deixa pra dizer "eu não concordo com isso" quando você tiver ao menos um embasamento teórico, porque senão além de passar vergonha vai ser lembrado de novo que seus achismos ficam da porta pra fora, que agora você está estudando ciência e deve ser imparcial. A propósito, isso é importante só no começo.... depois você vai sacar que seus professores não são neutros (podem ser éticos, mas neutralidade em ciências humanas é algo controverso) vai ser uma guerra e pode ser que a cada semestre você goste de teorias opostas, ou não.
          3.1. Sobre abordagens: acredite...a psicologia é muito mais que Psicanálise x Behaviorismo, é perca de tempo ficar nesse dilema, se você gosta de uma ou outra é opção sua e se não gosta de nenhuma não se sinta pressionado, psicologia é muito mais que isso, lembre que há a terceira força por aí (humanismo) e outras muitas teorias, com pesquisas quanti e quali, formas de atuação que necessitam de um aporte multidisciplinar,enfim... a vida lá fora é mais que esses dileminhas acadêmicos.
         3.2 Não fique chocado, abordagem não deveria ser religião, alguns professores vão dizer que isso é crucial, vai definir os rumos da sua vida profissional (coisa que é relativa), então meu conselho é: Pelo menos mergulhe um pouco e cada teoria, vale à pena, se não gostar pelo menos você aprendeu e agora pode colecionar argumentos contra kkkkkkkkkkk. Não quer dizer que você fará o "samba do crioulo doido" com as teorias, quer dizer que você precisa saber diferenciar, entender pelo menos o básico de cada uma e caso se interesse por uma área ou corpo teórico em particular, vai fundo.

Acho que dá pra sobreviver né? Claro que escrevi isso com base nas minhas vivências, se fosse outra pessoa esses "conselhos" com certeza sairiam de outro jeito. Em síntese, aproveite o máximo do curso, veja palestras, vá a congressos e por último mas não menos importante... FAÇA TERAPIA!




 
     

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Sobre Abordagem teórica

Se você faz psi, provavelmente se identificará com minha narrativa, se não...vai boiar colega já estou avisando.

Essa postagem se relaciona com um dilema muito presente nos estudantes de psicologia. E aquela típica pergunta de: "já escolheu sua abordagem?" dá arrepios, até parece aquela pergunta cliché de fim de ensino médio: "e aí, que curso você vai fazer?

Eu confesso que me senti muito "vira-folha" nesse curso, pois a cada semestre surgia um affair com uma teoria. Primeiro com a Psicanálise foi uma relação de amor e ódio, depois veio um certo encanto pelo humanismo (principalmente a gestalt terapia do Perls *-*), daí tinha a análise do comportamento que ficava de escanteio, ao longo do curso eu ficava me perguntando a utilidade de uma vida toda dedicada à explicações de S-->R (um estímulo elicia uma resposta).

Até que... na metade do curso eu pude conhecer os pressupostos da AC com mais detalhes e fiz um estágio básico com o embasamento teórico dentro da AC e minha terapeuta era analista do comportamento. Bom, até a metade do 5º semestre eu entendia análise do comportamento mas não estava muito a fim de aderir, até porque sempre me considerei dualista e nunca monista.

Mas sei lá, eu li tanto durante o estágio básico que acabei achando tudo com muito sentido e comecei a me sentir profundamente irritada quando alguém criticava a análise do comportamento com aqueles argumentos clichés do século passado. Também não sou cega pra perceber que a visão de homem dá análise do comportamento (apesar de na minha opinião ela consegue contemplar o ser humano em 3 dimensões bem completas, ou seja, em sua filogênese, ontogênese e cultura) trás suas limitações porque ela atua sempre sob seus pressupostos base.

Outra coisa que tinha decidido era que não ficaria discutindo inutilmente (no sentido de sair convertendo pessoas à análise do comportamento) até porque religião eu já tenho... não preciso ficar de missionária de vertente teórica nenhuma do meio acadêmico.

Ainda assim, no meio desse processo posso afirmar que não estou segura 100% dessa escolha, e também não acho que ela deve ser tipo o guia eterno da vida profissional, porque a psicologia como ciência e profissão não se resume em psicanálise versus behaviorismo e outras tretas teóricas por aí. Até porque ainda não defini meu campo de atuação, mas acredito que posso me utilizar de técnicas de outras teorias mas mantendo um recorte externalista no modo de interpretar os fatos.

Enfim, acredito que dilemas acadêmicos sempre existirão. Sempre haverá um professor vendendo seu "peixe" ou seja, apresentado seus pressupostos teóricos como o arauto da verdade, o que confirma que na ciência obrigatoriamente a ética deve estar presente, mas neutralidade.... "acho que não colega, rs".